Viagens na minha terra
1842 (escritos) 1843 (primeira publicação) 1846 (obra completa)
Almeida Garrett (Porto, 1799 – Lisboa, 1854)
·
Garrett milita contra as forças passadistas (absolutistas);
·
Literatura engajada nacionalista: condena o passadismo, mas reafirma o
passado de glórias de Portugal.
Viagens
·
Lisboa – Santarém (efetivamente realizada por Garrett entre 17 e 26 de
Julho de 1842);
·
Estilo eclético: história, política, jornalismo;
·
Digressões do narrador;
·
Transformações políticas em Portugal;
·
Enredo amoroso entre Carlos e Joaninha.
Estrutura
I - Dois eixos narrativos distintos:
1.
O narrador conta suas impressões de viagens,
intercalando citações literárias, filosóficas e históricas das mais diversas,
com um tom fortemente subjetivo e repleto de digressões e intertextualidades.
2.
O drama amoroso que envolve cinco personagens e
tem como pano de fundo as lutas entre liberais e miguelistas (1830 a 1834).
II
Viagem de Lisboa a Santarém.
História de amor entre Joaninha e Carlos.
III
Joaninha é uma moça que mora apenas com sua
avó, D. Francisca.
Semanalmente, elas recebem a visita de Frei
Dinis, que traz notícias do filho de D. Francisca, Carlos, ausente da cidade já
há alguns anos e que faz parte do grupo de D. Pedro.
Frei Dinis e D. Francisca guardam algum segredo
sobre Carlos.
IV
Foco narrativo
A obra é narrada em primeira pessoa e o narrador
é o que conhecemos por narrador-personagem. Um “narrador-protagonista” está
quase inteiramente confinado a seus pensamentos, sentimentos e percepções.
Porém, é preciso considerar as demais narrativas e inferências do autor, principalmente em relação à história sentimental entre Joaninha e Carlos.
Porém, é preciso considerar as demais narrativas e inferências do autor, principalmente em relação à história sentimental entre Joaninha e Carlos.
Personagens
As personagens de "Viagens na Minha Terra" são como símbolos de Portugal, personificações das causas da decadência do Império Português.
Carlos: é um homem instável que não consegue se decidir sobre suas relações amorosas, podendo ser ligado às características biográficas do próprio Almeida Garrett.
As personagens de "Viagens na Minha Terra" são como símbolos de Portugal, personificações das causas da decadência do Império Português.
Carlos: é um homem instável que não consegue se decidir sobre suas relações amorosas, podendo ser ligado às características biográficas do próprio Almeida Garrett.
Georgina: namorada
inglesa de Carlos, é a estrangeira de visão ingênua, que escolhe a reclusão
religiosa como justificativa para não participar dos dilemas e conflitos
históricos que motivaram sua decepção amorosa.
Joaninha: prima
e amada de Carlos. Meiga e singela, é a típica heroína campestre do Romantismo.
Simboliza uma visão ingênua de Portugal, que não se sustenta diante da
realidade histórica.
D. Francisca: velha
cega avó de Joaninha. Mostra-nos a imprudência e a falta de perspectiva como
ingredientes da decadência da nação.
Frei Dinis: é a própria tradição calcada num passado histórico glorioso que, no entanto, não é mais capaz de justificar-se sem uma revisão de valores e de perspectivas. Frei Dinis foi um nobre cheio de posses, mas resolveu abandonar tudo e sumir. Volta para Santarém dois anos depois, como frei. O narrador critica essa mudança. Para ele, trata-se de uma fuga nada heroica ou sacrificada, pois qualquer um poderia facilmente ser ordenado frei de uma hora para outra.
Poética (estilo e
linguagem)
Metaliguagem
e digressão
“Trata-se de
um romance, de um drama — cuidas que vamos estudar a história, a natureza, os
monumentos, as pinturas, os sepulcros, os edifícios, as memórias da época? Não
seja pateta, senhor leitor, nem cuide que nós o somos. Desenhar caracteres e
situações do vivo da natureza, colori-los das cores verdadeiras da história... isso
é trabalho difícil, longo, delicado, exige um estudo, um talento, e sobretudo
tacto!... Não senhor: a coisa fazse muito mais facilmente. Eu lhe explico.
Todo o drama e todo o romance precisa de:
Uma ou duas damas, mais ou menos ingénuas.
Um pai — nobre ou ignóbil.
Dois ou três filhos, de dezanove a trinta
anos.
Um criado velho.
Um monstro, encarregado de fazer as
maldades.
Vários tratantes, e algumas pessoas capazes
para
intermédios e centros.
Ora bem; vai-se aos figurinos franceses de
Dumas, de Eug. Sue, de Vítor Hugo, e recorta a gente, de cada um deles, as
figuras que precisa, gruda-as sobre uma folha de papel da cor da moda, verde,
pardo, azul — como fazem as raparigas inglesas aos seus álbuns e scrapbooks;
forma com elas os grupos e situações que lhe parece; não importa que sejam mais
ou menos dispara tados. Depois vai-se às crónicas, tiram-se uns poucos de nomes
e de palavrões velhos; com os nomes crismam-se os figurões, com os palavrões
iluminam-se... (estilo de pintor pinta-monos). — E aqui está como nós fazemos a
nossa literatura original.
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